Entrevista com Dr. Clemente na Clínica MultImagem

Entrevista com Dr. Clemente na Clínica MultImagem

“Elisa: – O que é a Doença Celíaca?

 

Dr. Clemente: – Doença Celíaca é uma doença autoimune, o que significa que as células do organismo são afetadas por anticorpos que são desenvolvidos para ir contra essas mesmas células, ou seja, o próprio corpo desenvolve anticorpos que, em vez de ser contra algum fator externo, acaba sendo contra o próprio organismo. Por ser uma doença genética, a chance de outro parente ter a Doença Celíaca é grande. A Doença Celíaca está associada aos genes HLA-DQ2 ou DQ8, normalmente um desses dois genes é a Doença Celíaca, e por conta deles, acaba tendo essa reação imunológica. Essa intolerância ao glúten, que é uma proteína existente no trigo, cevada, centeio, aveia e malte, acabam tendo outros componentes no seu interior. Ex: no trigo temos a gliadina, na aveia temos a avenina, no centeio temos a cecalina e na cevada temos a ordeína, que são os componentes ruins dessa proteína glúten, que atuam nas vilosidades do intestino delgado causando uma reação inflamatória local, reduzindo as vilosidades e ocasionando muitos problemas. Como o intestino delgado tem de 6 metros a 8 metros de comprimento cheios de entrâncias (vilos), que tem a finalidade de absorver todos os nutrientes (água, vitaminas, proteínas, sais minerais), quando elas são afetadas por um processo inflamatório crônico, esses vilos são reduzidos e é aí que começam as complicações.

 

Elisa: – Em relação ao enfraquecimento do intestino e a diminuição da absorção dos nutrientes, quais são as doenças relacionadas à Doença Celíaca?

 

Dr. Clemente: – Como as vilosidades são reduzidas e a absorção também, a pessoa passa a absorver menos ferro, então há o risco de anemia, como a anemia ferropriva. Há uma diminuição na absorção de cálcio, que leva à osteoporose. Claro que nem todos adquirem as mesmas doenças, mas há sim um risco bem alto de adquirir doenças referentes à diminuição dos nutrientes. A pessoa absorve menos nutrientes de uma forma geral, absorve menos açúcares, menos gorduras, menos proteínas. Na medida em que você absorve menos componentes, por exemplo em crianças, você tem problemas de crescimento, a criança fica menor, não se desenvolve bem e existem outros problemas, inclusive neurológicos. São muito variáveis, mas são oriundos dessa falta de absorção devido à Doença Celíaca. Pela dificuldade de diagnóstico, se não fechar o diagnóstico para Doença Celíaca na infância logo após esses sinais, a criança não desenvolve, fica cheia de problemas no futuro, porque não para por aí. Muitas pessoas não mostram sinais na infância, mas podem aparecer na adolescência ou só na vida adulta. Quanto mais precoce esses sinais, mais comprometimentos podem surgir. Então no adulto, pode variar desde o assintomático (que não demonstra sinais) até aquele que tem sintomas mais profundos. Você tem uma série de complicações como distensão abdominal, problemas intestinais (como a diarreia que aparece na metade dos casos), desconforto abdominal, continuam com anemia que resulta em fraqueza, fadiga e cansaço, alterações como cabelos, pele e unhas quebradiças, problemas neurológicos e muitas outras complicações que limitam a vida de uma pessoa.

 

Elisa: – Quanto mais tardio o diagnóstico, mais acumulativas serão as doenças. Como é o caso da permeabilidade intestinal. Assim como temos as vilosidades que absorvem os nutrientes, temos também a impermeabilidade Intestinal, que é uma “capa de proteção” no intestino, que ajuda a não passar toxinas do intestino para o organismo, na Doença Celíaca, como isso funciona?

 

Dr. Clemente: – Isso é um grande problema, pois realmente existe uma “capa protetora” no intestino, mas como existem os componentes nocivos dessas proteínas do Glúten, o ideal seria o intestino ser impermeável (que não passa substancias entre eles), então na medida em que há a inflamação e a impermeabilidade é alterada, vai ocorrendo um dano no intestino e a impermeabilidade é dificultada, passando entre esses e outros componentes nocivos através do intestino para fora, causando outras intoxicações.

 

Elisa: – A pessoa então, quando tem o diagnóstico da Doença Celíaca e trata essas e outras doenças, há uma melhora ou a pessoa acaba tendo outras complicações?

 

Dr. Clemente: – Isso é muito interessante, porque os relatos são os mais variados, desde pessoas que melhoram em dias, até aqueles que melhoram em meses. Mas existem os resistentes que, mesmo depois da retirada do glúten (que é obrigatório para o Celíaco), ainda assim continuam com sintomas e doenças, podendo ser mais ameno, mas em alguns pacientes tem que tratar, por exemplo, com injeções de ferro pela dificuldade de absorver esse nutriente e permanecer com essa anemia. Fazer acompanhamento para diminuir problemas de pele. Se tem diarreia, deve-se acompanhar para diminuir esse sintoma, como também fazer reposição de vitaminas, que em cada paciente é um tipo. Por isso o tratamento dessas doenças e sintomas é extremamente individual, não é especifico. Mas também vemos pacientes que melhoram de maneira tão significativa que não há necessidade de nenhum tipo de reposição. Inclusive outras intolerâncias que podem surgir depois de muito tempo, mesmo com a dieta isenta de glúten, como a própria Lactose. Como podemos observar, muitas pessoas que não tinham outras intolerâncias além da Doença Celíaca, depois de um tempo, acabaram aparecendo mais restrições. E por ser uma dieta muito sacrificada (da retirada do glúten) é difícil evitar a ingestão já que até as bebidas contém glúten, como cerveja, wiskhy, vodka, então o cuidado é grande desde o diagnóstico até o tratamento, que é muito complexo, até porque a resposta dos pacientes a esses tratamentos é muito individual.”

 

Aparelhos para diagnóstico de doenças associadas à Doença Celíaca da Clínica MultImagem.

Aparelhos da Clínica MultImagem para diagnóstico de doenças associadas à Doença Celíaca.

Agradecemos imensamente ao Dr. José Carlos Clemente por responder com clareza e sabedoria nossa entrevista, não esquecendo da atenção que nos deu ao apresentar sua clínica de diagnóstico por imagem, a MultImagem, que é um local de profissionalismo e humanidade no qual encontramos aparelhos de ponta para auxiliar o diagnóstico de muitas doenças relacionadas à Doença Celíaca.