Antes e depois do diagnóstico da DC!

“Essa é minha filha antes e depois de descobrir a Doença Celíaca. Tem 4 anos, tem alergias múltiplas mediadas, incluindo: trigo, ovo, leite de vaca e soja, diversas intolerâncias também. Minha filha nasceu de cesariana, foi tudo muito bem, pesava 3,500kg media 48 cm. Na maternidade tomou complemento, pois meu leite demorou a vir. Segui amamentando, mas com dias ela já teve um resfriado, que dizia a pediatra que era normal. Começou então a fazer um esforço enorme para evacuar, mas as fezes eram macias, e segundo a pediatra também era normal. Apareceu uma hérnia, acho que pelo esforço na evacuação, mas a pediatra falou que com o tempo ia sumir. Então veio a época da IA (Introdução Alimentar), tudo com orientação da pediatra. Eu amamentava e passei a dar ninho com engrossante, aí o sofrimento começou. O esforço que ela fazia para evacuar aumentou, veio a constipação, ela levava dias para evacuar, a pediatra passou mamão, ameixa, iogurte ‘activia’, mel, aveia… Enfim, a cada consulta algo novo para melhorar. Passei a induzir com supositório, tratei com laxantes de homeopatia que a pediatra receitava, sempre mudando a formula quando eu dizia que não resolveu. As fezes eram macias e mesmo assim o esforço e o intervalo entre as evacuações só aumentavam. Ela tinha ainda um peso normal e não adoecia. Desconfiei do glúten, pois quando dei o primeiro mingau de aveia ela inchou a barriga e vomitou. Teve muita cólica também e prendeu mais ainda. Usei por minha conta todos os laxantes para criança que vocês conhecem. Ela já tinha 1 ano e 6 meses quando foi em uma gastroenterologista, que receitou fibras, Stimulance, lactulose e nada resolveu. A barriga estava enorme, ela não crescia, era muito magra, parecia que ia quebrar os ossinhos. O esforço para evacuar se tornou constante, até dormindo! Ela tinha dores, eu já não dava glúten porque via que ela piorava, mas eu não sabia que a dieta para um Celíaco tem que ser 200% sem glúten e na verdade nessa época ela não fazia dieta era nada! Ela estava já com 2 anos, magra demais, não falava quase nada, irritada, eu mudava de médico, de laxante, passei a usar enemas (minilax) varias vezes por dia até ela conseguir por para fora alguma quantidade de fezes. Ela vomitava, se jogava no chão, andava curvada de dor. Levava 4, 5 dias usando enemas até evacuar um pouco. Depois passou para 1 semana, 15 dias… E ia parar na emergência para fazer as lavagens lá. Chegou a usar 6 col. sopa por dia de óleo mineral. Não comia mais quase nada. Foi quando encontrei enfim uma gastro que veio enviada por Deus para salvar a vida dela! Quando entramos para a consulta eu chorava muito e pedi que ela não deixasse minha filha morrer. Então a gastro-pediatra me abraçou e disse que ia descobrir o que ela tinha. Eu falei à ela que os médicos tratavam a prisão de ventre (nunca teve fezes ressecadas), mas não a causa. Tinha alguma doença por trás disso. Ela passou os exames e suspendeu o leite de vaca e passou leite de soja. No exame de raio-x mostrou uma quantidade enorme de fezes e ela foi para o hospital para mais uma lavagem. Em casa seguia com o minilax e óleo mineral. Fez exame de IgE para leite, soja, etc que não deu nada . Fez exame de enema opaco que deu sigmóide redundante (estava explicado o esforço para evacuar), o contraste do exame enema opaco levou 12 dias para sair, quando o normal é sair em 24 horas. Quando a gastro viu o laudo achou ter descoberto a causa, mas quando viu as imagens me pediu calma e disse: “É megacólon, tem que avaliar com um cirurgião!” E o cirurgião vendo o exame marcou a biópsia de reto, já dando a certeza que ia fazer a colostomia (ela ficaria sem o intestino e ia evacuar em uma bolsinha). Ele me mostrou nas imagens que ela vomitava as fezes. Ele disse que com ela anestesiada iria tirar todos os fecalomas (fezes empedradas) que as lavagens não conseguiam tirar. Eu fiquei no centro cirúrgico, ela tomou anestesia geral e peridural. Ele disse que precisava para ela aguentar a dor quando acordasse. A lavagem foi terrível, ele jogava o liquido para dentro, apertava a barriga para o Fecaloma descer, e com os dedos ele tirava lá de dentro pedras de fezes dela. E fez a biópsia, ela tomou pontos no ânus. E o resultado foi
negativo. Ela tem sim os nervos, os músculos tudo funcionando no intestino. Não ia operar! Mas não melhorou. E eu não me conformei. Ela continuou indo 1 vez por semana no hospital para fazer lavagem. Nem fibra, laxante, nada deu jeito. Então a gastro enfim passou o exame certo. Pediu exames de sangue para anticorpos da Doença Celíaca, que deu positivo e repetiu IgE para leite e trigo que mediou, e soja que não deu nada. Então ela fez a endoscopia com biopsia que confirmou a Doença Celíaca. A endoscopia demorou mais que o esperado, e ela veio para o quarto nos braços do anestesista, gorfando sangue, e ele ficou com ela esperando diminuir. O gastro veio, a
cara deles me assustava, e então o gastro explicou que tirou um ‘carocinho’ dela e que também mandou fazer a biopsia. Eu pedi para ele explicar o que era, e ele disse que era algo parecendo uma verruga, um pólipo. E que nem precisava da biopsia pra saber que era Celíaca. O resultado veio e graças a Deus era benigno. E o resultado da Celíaca e o estrago que fez, resumindo foi este:

Bulbo duodenal: edema, ectasia vascular e aumento da celularidade própria com presença de nódulos linfóides.

Gástrica: mucosa gástrica revelando alterações inflamatórias associadas a área de erosão.

Duodeno: relação vilosidade cripta 3.b e aumento de linfócitos intra epiteliais.

No córion encontra-se edema, congestão, ectasia vascular e aumento de celularidade.

CONCLUSÃO: fragmentos de mucosa exibindo alterações histopatológicas compatíveis com Doença Celíaca.

As vilosidades do intestino não existem mais, o que causa má absorção de nutrientes, ela faz exames para doenças associadas à Celíaca a cada 6 meses, mede a glicose, usa suplemento de vitaminas e cálcio (estava com osteoporose) toma sol, e o principal, hoje todos em casa e as visitas e até o gatinho se tornaram ‘Celíacos’, de coração, por amor, para proteger ela do glúten, que quase a matou. Na nossa casa não entra um farelo de pão. E AGORA ELA FAZ COCÔ! Sozinha! Tem 4 anos, vai pra escola, fala, pegou peso, brinca e é feliz!

Ela ainda usa um laxante a 1 ano, todos os dias. O sigmóide redundante é uma má formação. Ela tem o final do intestino muito longo, e isso retem as fezes, então ela ainda precisa de ajuda do laxante, mas é uma dose muito pequena agora. E ainda usa fralda, afinal, agora que aprendeu a evacuar sozinha, não sabe controlar a vontade, e precisa esquecer o trauma das lavagens. Mas tem as consequências de um intestino tão danificado. A imunidade é baixa, as alergias vieram: leite e trigo, já aparecia, aí veio a soja, o ovo, ervilha, inhame, melão. Intolerância: a carnes, feijão, sorbitol.

Ao que causa alergia, reage com coceira intensa, rinite, olhos vermelhos, tosse seca, erupções na pele, suor. Na intolerância, tem diarreia e cólica. Não come industrializado, nem margarina, extrato, nada. Tudo eu que faço, o pão, biscoito, suco, sopinha, e usa neocate. E não quer largar o peito, mas eu não ligo, quando ela quiser ela para de pedir. Ainda tenho medo das doenças autoimunes associadas, do câncer, linfoma, infertilidade e tantas coisas que essa doença pode causar, mas temos que viver um dia de cada vez, porque até aqui nos ajudou o Senhor!”

 

Depoimento de: Beatriz Pedrosa.