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“Muitos diziam que eu era uma criança chorona, fraca, preguiçosa e que só queria dormir. Hoje sei que era fadiga crônica. Eu sempre tive anemia e pneumonia, nunca fui magrinha, e passei por muitos pediatras de SP.
Na adolescência eu tinha crises de diarreia, mas como estava acima do peso não me importava. Sentia fraqueza, enxaqueca, menstruava muito. Tentei fazer esportes, mas não conseguia. Eu era deprimida e com 19 anos veio uma pneumonia tão forte com diarreia que achei que ia morrer. Nessa fase fiquei magérrima. Todos pensavam que eu era hipocondríaca e tudo era emocional. Fiz todas as colonoscopias, endoscopias… Comecei um tratamento com corticosteroides que foi até uns 26 anos para tratar uma colite ulcerativa (gastrite), era o stress. Eu fazia serviço social e trabalhava muito.
Com 22 anos, por conta de outra pneumonia, umas feridas horríveis começaram a aparecer, as feridas eram Psoríase (Doença associada a Doença Celíaca). Eu resolvi morar na casa de praia de meus pais. Casei com 24 anos e aí vieram os abortos de repetição e as hemorragias. Trocas mil de especialistas e gastros até que um gastro cirurgião disse “EU ACREDITO EM VOCÊ” (tinha algo que não era psicológico e eu sabia). Então ele me internou e fez tudo junto: ENDOSCOPIA ATÉ A SEGUNDA PORÇÃO DO DUODENO, isso é importante porque o aparelho nunca ia até o duodeno quando eu fazia, e a colonoscopia também não ia. COLONOSCOPIA e LAPAROSCOPIA COM BIÓPSIAS de dentro e de fora dos órgãos desde a faringe até o reto. Retirei uns pólipos no intestino e cisto no ovário e aguardei os exames. Dias depois ele me disse “você tem DOENÇA CELÍACA. Retira o glúten da dieta que em dois meses você será outra e feliz para ter seu filho”. Mas não foi bem assim. Me informei e em casa já não entrava glúten, meu marido até parou de beber cerveja e virou Celíaco também. Acontece que eu melhorei muito pouco e então, veio outro aborto. Como não podia mais fazer a tal curetagem, eu fiquei induzindo e expelindo, ou seja, todas as dores de um parto normal, hemorragia e sem filho. Eu tive uma parada e meu marido disse que não queria mais filhos, que podíamos adotar.
Insistiam em me dar comprimidos que eu negava tomar porque só tomo remédios líquidos ou injetáveis. A enfermeira insistia em dizer que era a mesma coisa, mas veja o ex: não importa o princípio ativo e sim o EXCIPIENTE, o veículo. Na medicação injetável o veículo é Soro, na solução oral o veículo é água e no comprimido o veiculo é AMIDO que eu não sei se é do trigo, fora a lactose… Deprimi total. Tomava remédios de tarja preta e em 3 meses eu engordei 30kg. Foi aí que tentei me matar num desespero de dor. Tomei um monte desses, meu marido salvou a minha vida, então procurei o melhor psiquiatra psicoterapeuta. Ele perguntou se eu queria ficar na clínica dele para desintoxicar dos muitos remédios. Era como se fosse um hotel chic. Continuava com a dieta sem glúten e voltei pra casa disposta a ser FELIZ e saudável. Emagreci e fui pra SP. Lá, fui na especialista em Doença Celíaca, Dra. Maria de Lourdes Teixeira. Aí sim, de lá ela me mandou pro Ganep nutrição. Eu ia a SP uma vez por mês e VALEU A PENA. Retirei muita coisa da dieta para minha mucosa voltar ao normal e, em 1 ano eu melhorei quase 100%. Fui em outros especialistas também. Deixei de comer na rua e só em casa me cuidei. Eram muitos remédios, contaminação cruzada, retirei até hoje o leite e derivados da soja, produtos industrializados em demasia e embutidos. Com 37 anos nem engravidava mais, tinha muitas hemorragias até que fiquei mal. Fiz uma ultrassonografia onde uma médica desrespeitosa me disse que poderia ser câncer sem fazer biópsia. Mas o tumor era do tamanho de um melão, me indicaram a retirada total do útero e conforme a biópsia, veio a químio. Quando eu acordei a médica me disse: eu não retirei o seu útero ainda porque eram milhões de pólipos, vamos aguardar a biópsia. E deu negativo.
Aos 40 anos, numa consulta com a ginecologista, ela colocou no prontuário: infertilidade, consequência da DC, não ovula mais. Eu já estava conformada. Nessa época levei um tombo numa cachoeira da fazenda, quebrei o osso da face abaixo dos olhos, uma perna e a minha mão esquerda ficou grudada somente pela pele, foi ali que descobri que tinha OSTEOPENIA (doença associada à DC). Operei, acordei com pinos pra fora, fiquei 6 meses parada engessada com pinos e mais 6 meses fazendo fisioterapia. Depois disso fiquei um mês tratando VIROSE, até que nas perguntas eu disse que comecei a passar mal com café e aí descobri que ESTAVA GRÁVIDA. Todos diziam: não fique feliz antes do 4° mês. E no 4° mês eu sangrei e pra não ficarem mexendo eu fiz um ultrassom. A médica disse: REALMENTE VOCÊ ABORTOU UMA MENINA, MAS VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA DE GÊMEAS E UMA ESTA VIVA! Fui no especialista em gestação de alto risco para marcar uma operação pra retirada da criança falecida para a outra poder desenvolver. O médico irresponsável disse: VAI PRA CASA E ESPERA ABORTAR O OUTRO, PORQUE QUANDO UM MORRE, O OUTRO SEMANAS DEPOIS VAI TAMBÉM, NÃO VOU TE OPERAR À TOA PORQUE SEI QUE VOCÊ VAI ABORTAR E SE NASCER, NASCERÁ COM MUITOS PROBLEMAS. Eu fiquei a gestação toda de repouso com um bebê falecido e outro desenvolvendo. A Clara nasceu 31/01/2011, veio para iluminar a minha vida. Eu amo ser mãe, fico de madrugada na cozinha e de dia brinco com minha filha. Não dei glúten pra ela, pois ela é APLV*, soja e ovo. Esperarei melhorar e curar porque não é seguro eu dar glúten sem me contaminar ou contaminar a ela (sem leite, ovos e soja), fora isso sou abençoada!”
‘Maria Maria’ (nome fictício)
